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(Imagem Reprodução do G1)


Quatro em cada cinco famílias venezuelanas não têm dinheiro para comprar comida. A difteria, antes erradicada, voltou a surgir no país, com 324 casos em 2016. A malária se tornou endêmica, com mais de 240 mil casos registrados. A fome atinge 9% da população.

Mortalidade infantil e materna cresceram 30% e 66% no ano passado, respectivamente, de acordo com números que o governo só divulgou por pressão internacional. Farmácias estão desabastecidas. Hospitais vivem uma situação de guerra. Persiste a crise migratória que levou quase 2 milhões a deixar o país nas últimas décadas.

Eis o saldo concreto dos 18 anos de chavismo. A ditadura que Nicolás Maduro tenta consolidar com a eleição fajuta da Assembleia Constituinte no último domingo esconde atrás de slogans e propaganda uma realidade trágica, de solução a cada dia mais difícil.

O governo americano adotou a política de punir indivíduos em vez da população venezuelana e impôs ontem sanções financeiras contra Maduro. Outros 22 juízes e políticos, entre eles o vice-presidente Tareck El Aissami, já haviam sido submetidos à medida.

Pela primeira vez, os Estados Unidos chamaram Maduro de "ditador". O Itamaraty considerou a votação de domingo uma “ruptura da ordem institucional”. O Mercosul deverá enfim suspender hoje a Venezuela, com base na cláusula democrática, depois de Maduro recusar a oferta do bloco para mediar a disputa com a oposição.

A tragédia venezuelana não aconteceu no último domingo. Ela vem se arrastando há anos, ao longo dos quais o chavismo impôs controles sobre a imprensa e o Judiciário, conferiu poderes excepcionais a Maduro e criou uma milícia própria – até atacar, com a eleição da nova Constituinte, o último bastião que lhe resistia, a Assembleia Nacional eleita no final de 2015, ainda controlada pela oposição.

Enquanto o governo e os líderes oposicionistas protagonizam um conflito de versões sobre quantos venezuelanos votaram no domingo passado, os mortos – pelo menos 120 nos últimos quatro meses – se acumulam em conflitos armados.

A perspectiva é que a violência se agrave, à medida que Maduro tente consolidar seus poderes ditatoriais, ou que os militares usem a Constituinte para apeá-lo do poder e pôr um general em seu lugar. Democracia é uma palavra distante de qualquer cenário.

Como o país chegou a tal ponto? Teria sido possível evitar o pior? A triste resposta é: sim. Com receio de intervir nos assuntos internos da Venezuela, ou por mero interesse comercial, a comunidade internacional titubeou e hesitou anos em sua condenação ao chavismo.

O Brasil dos governos petistas cortejou Hugo Chávez e Maduro abertamente. Deixou crescer, ao lado das nossas fronteiras, uma ameaça à estabilidade regional e uma tragédia humanitária. Mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, o Itamaraty adotou uma postura de prudência. Talvez aí já fosse tarde demais.

Por meio de sua liderança regional, o Brasil poderia ter construído uma aliança capaz de impôr sanções que enfraquecessem o chavismo há muito tempo. Com as ações diplomáticas decisivas na hora certa, evitaria a ampliação do bloco bolivariano para Bolívia, Nicarágua, Argentina e Equador, uma clara afronta ao interesse nacional.

Não haveria, claro, garantia de que Chávez ou Maduro viessem a cair. Mas seria mais difícil consolidar a narrativa redentora anti-americana, que mobiliza os acólitos de Chávez fora da Venezuela – um grupo eclético que vai de Irã e Hizbollah a Sean Penn e Oliver Stone.

A tragédia venezuelana, não podemos esquecer, é responsabilidade sobretudo dos próprios venezuelanos. Mas também não podermos esquecer a omissão do Brasil, dos Estados Unidos e da comunidade internacional. Difícil prever a que ponto o conflito chegará agora, tamanha a tensão. O certo é que parte do preço será pago por nós. (por Helio Gurovitz) 


Fonte: G1

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