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Com pouca água, as pedras que antes ficavam submersas agora estão à mostra na barragem do Sobradinho (Foto: Imagem/TV Norte)


A barragem do Sobradinho, no norte da Bahia, está operando com apenas 4% da capacidade, segundo informações da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), responsável pela operação do Sobradinho. Além disso, a vazão do local, que é a água liberada pela barragem, começou a ser reduzida nesta segunda-feira (9) e continua a diminuir na terça-feira (10). É a menor vazão em 37 anos, desde que a usina de Sobradinho começou a operar, em 1979.

Em condições normais, a usina Hidrelétrica de Sobradinho, que opera com as águas do Rio São Francisco, tem vazão mínima de 1.300 m3/s. Contudo, com pouca água chegando ao reservatório por conta da falta de chuva na cabeceira do rio e nos seus afluentes, a Agência Nacional de Águas e o Ibama autorizaram nesta segunda-feira, a redução da vazão para 560 m³/s, e a partir de terça-feira, a vazão será reduzida para 550 m³/s.

A diminuição na vazão é por tempo indeterminado. A decisão é para conservar a quantidade de água no lago. Além disso, o reservatório pode chegar ao volume morto em novembro.

Diante da situação de pouca água, as pedras que antes ficavam submersas agora estão à mostra. Os bancos de areia se multiplicam e até criam vegetação no meio do leito do rio.

Esta é uma cena que os moradores de Sobradinho nunca pensaram em ver um dia. Os pescadores não estão mais usando barcos, estão caminhando com água na cintura até o meio do rio para pegar peixes.


Barragem do Sobradinho opera com pouco mais de 4% da capacidade na Bahia (Foto: Imagem/TV São Francisco)

"Eu sabia que o rio estava secando bastante, mas chegar a esse ponto da gente andar 200 metros com a água na cintura, eu nunca imaginei", revelou o Maycon Quirino, que participa de prática esportiva.

No povoado de correntezas, a nove quilômetros de sobradinho, a produção é irrigada. Mas com o nível do rio baixando, está ficando complicado manter as plantações.

Em época de safra boa, o agricultor Bernardino Rodrigues Miranda colhe 500 caixas de manga e 300 de goiaba. Este ano, ele colheu 30% a menos. Agora que a vazão do lago de Sobradinho diminuiu, o agricultor vai ter que cavar o canal mais profundamente para que as tubulações consigam puxar água do rio até as bombas. "Eu já tenho quase 70 anos e nunca tinha visto o rio nessa situação", contou Bernardino.

Alguns trechos do Rio São Francisco que ficam abaixo da barragem de Sobradinho já estão sentindo os reflexos da longa estiagem, como o que fica no balneário de Chico Periquito. Qualquer banhista consegue andar vários metros dentro do rio com água abaixo da cintura. Outros locais, onde antes a profundidade era de até seis metros, agora não chegam a um metro. Com a redução da vazão do lago, a situação pode piorar ainda mais.

"Eu trabalho aqui com comércio há 25 anos. Eu nunca vi essa situação que eu estou vendo hoje. A última cheia que teve foi em 2007", contou o comerciante Pedro Freitas. As informações são do G1 BA.

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