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Montagem com fotos de protestos de opositores e chavistas nesta quarta (1º) — Foto: Federico Parra/AFP; Yuri Cortez/AFP

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, voltou a criticar nesta quarta-feira (1º) o que chama de influência dos Estados Unidos na crise venezuelana. Pelo telefone, o chanceler russo disse a Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, que os EUA terão "graves consequências" se continuar a dar "passos agressivos" na Venezuela.

"Só o povo venezuelano tem o direito de determinar seu destino, razão pela qual é necessário um diálogo entre todas as forças políticas do país, que é o que há muito tempo pede o governo", disse Lavrov de acordo com o comunicado.

Lavrov ressaltou que "a destrutiva ingerência exterior, mais ainda com o uso da força, não tem nada em comum com os processos democráticos".

Segundo a agência EFE, o chefe da diplomacia russa denunciou que "a ingerência de Washington nos assuntos internos de um país soberano e as ameaças a seus dirigentes são uma grosseira violação do direito internacional".

A Venezuela voltou a atrair atenções do mundo depois do acirramento da crise na terça-feira, quando Guaidó convocou manifestantes com a alegação de que havia conquistado apoio dos militares – o que o regime chavista negou. Houve confrontos com dezenas de feridos, principalmente na capital Caracas.

O que os EUA responderam?

Os dois representantes se telefonaram a pedido de Pompeo. Enquanto a Rússia acusa os Estados Unidos de ingerência na crise na Venezuela, o secretário norte-americano afirma que o governo russo trabalha a favor do regime de Nicolás Maduro.

Pompeo, inclusive, afirmou a uma emissora norte-americana que o chavista estava pronto para deixar a Venezuela rumo à Rússia na terça-feira. O governo russo e o regime Maduro negaram essa versão.
A tensão do lado norte-americano ainda aumentou porque Pompeu disse, nesta quarta-feira, que há a possibilidade de Washington recorrer a uma ação militar para destituir Nicolás Maduro "se necessário".

'Planejamento exaustivo'

O secretário de Defesa em exercício dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, disse nesta quarta-feira (1º) que os EUA fizeram "planejamento exaustivo" sobre a Venezuela e têm planos de contingência para diferentes cenários. No entanto, ele disse que o governo norte-americano foca na pressão econômica e diplomática.

"Estamos trabalhando isto como um todo no governo, e quando as pessoas falam que todas as opções estão sobre a mesa, elas literalmente estão. Mas trabalhamos isso mais diplomaticamente e economicamente para impor pressão", disse Shanahan em audiência no comitê de verbas da Câmara dos Deputados, de acordo com a agência Reuters.

"Fizemos planejamento exaustivo, então não há uma situação ou cenário para o qual não tenhamos contingência", acrescentou.

Novos protestos na Venezuela

Opositores de Maduro voltaram às ruas nesta quarta-feira, Dia do Trabalhador, atendendo convocação do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, que discursou em Caracas e defendeu a realização de protestos diários no que denomina "Operação Liberdade" para tirar os chavistas do poder.

"Todos os dias vamos ter ações de protesto até obter a liberdade. Vamos insistir até conquistar nosso objetivo", disse.
Guaidó também afirmou que é necessário continuar tentando ganhar mais apoio dos militares. "Faltam peças importante, as Forças Armadas, e temos que continuar falando com eles. Ficou claro que nos ouvem", disse. "Temos que reconhecer, ontem não foram suficientes", admitiu, referindo-se à tentativa de levante que conduziu nesta terça.

"Não estamos pedindo enfrentamento entre irmãos, ao contrário, que se ponham ao lado de todo o povo", afirmou. Por volta das 11h30 (hora de Brasília), já havia relatos em redes sociais de repressão das forças de segurança contra a oposição. As informações são do G1.

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