Corte de empregos formais desacelera em junho, mas é recorde no semestre



O Brasil fechou 10.984 vagas formais de trabalho em junho, numa piora na comparação com a abertura de 48.436 postos em igual mês do ano passado, mas desacelerando o ritmo de perdas frente aos meses anteriores, quando o impacto da crise do coronavírus afetou frontalmente as estatísticas.

Este foi o pior junho do Caged desde 2016, quando houve encerramento de 91.032 vagas.

A maior perda foi registrada no setor de serviços, com fechamento de 44.891 postos em junho. Comércio e indústria também registraram desempenhos negativos, com encerramento de 16.646 e 3.545 vagas, respectivamente.

Já a agricultura abriu 36.836 empregos formais, ao passo que na construção o número ficou no azul em 17.270 vagas.

Em 2020, os dados também vieram negativos em março (-259.917), abril (-918.286) e maio (-350.303), na esteira da paralisia econômica vivida pelo país com as medidas de isolamento social adotadas para frear a contaminação pelo Covid-19.

“Frente a tudo isso que passamos, o número (de junho) é absolutamente positivo”, afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

No acumulado do primeiro semestre, foram fechados 1.198.363 postos, na série com ajustes, na performance mais fraca para o período da série iniciada em 2010 disponibilizada pelo Ministério da Economia. No mesmo período de 2019, foram abertas 408.500 vagas.

Em coletiva virtual de imprensa, Bianco defendeu nesta terça-feira que o desempenho do emprego formal em junho sinaliza uma melhora da economia.

Ele afirmou ainda que os números do Caged já demonstram “claramente” que a recuperação em V no pós-crise é “muito possível”, dado que o mercado de trabalho já está reagindo.

Bianco também frisou a importância do Bem, benefício pago pelo governo aos que têm redução de jornada ou contrato de trabalho suspenso, para preservação dos empregos, ressaltando que já foram feitos até o momento cerca de 15 milhões de acordos.

Destes, 1,5 milhão de novos acordos foram celebrados após a edição do decreto que autorizou a prorrogação da medida.

Já considerando o novo prazo de vigência, Bianco afirmou que a expectativa é que o custo fiscal do Bem fique por volta dos 51 bilhões de reais originalmente estimados.

Por ora, a equipe econômica não trabalha com nova perspectiva de alongá-lo, embora esteja aberta a repensar o assunto caso haja necessidade, acrescentou ele.

Bianco também disse ter expectativas “muito positivas” para os dados de julho do Caged e apontou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, lançará “nos próximos dias” medidas para geração de empregos no pós-crise. As informações são da Reuters.

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