Pense bem na sua relação e nas suas condições junto ao seu banco

Do Leandro Trajano

Imagem de StartupStockPhotos de Pixabay 


Não é de hoje a situação difícil do brasileiro em relação à vida financeira, mas, claro, com a pandemia se agravou muito para milhões e milhões de pessoas. Trago aqui em nossa conversa ou no meu monólogo com você, um pouco sobre empréstimos, tomada de crédito, os cuidados, formatos, alternativas, reflexões e ações para você não se atrapalhar.

Um ponto que sempre me chamou atenção é a fidelidade das pessoas em relação às instituições financeiras, ao banco, seja lá qual seja o seu. Acreditam piamente que ele fará a melhor proposta de investimentos, de juros e condições para os empréstimos, mas na verdade é ilusão, porque não é bem assim.

É isso mesmo: você não está preso ao banco que você tem um financiamento ou empréstimo. Com isso, você pode melhorar muito as condições a partir do momento que utilizar algumas das dicas e pontos de reflexão que listo aqui.

Primeiro você precisa entender bem as condições da sua dívida: os juros, o custo efetivo total (CET), o prazo e todos os detalhes para que você saiba exatamente aquilo que está analisando. Isso é essencial e vai te dar base para que você tente renegociar as condições, os juros, é um passo importante para uma reestruturação financeira que é necessária.

Pegue o seu contrato, seja de um empréstimo pessoal ou consignado, financiamento imobiliário ou de carro, analise bem, se aproprie dos detalhes que falei acima e leve para outras instituições financeiras de crédito, cooperativas ou bancos, com o objetivo de conseguir condições melhores. Numa instituição financeira que você não é cliente, isso é totalmente possível, afinal, todas elas estão procurando (sempre) ampliar a carteira de clientes e, para tal, precisam apresentar ofertas interessantes para conseguir atrair essa clientela para o portfólio. Portanto, pesquise, dedique tempo, corra atrás, vá em, pelo menos, outras três além da que você está hoje. Isso vai te tomar um tempo, naturalmente, mas quem pode fazer isso por você? Quem precisou do crédito? Então, corra atrás, porque você tem a real possibilidade de conseguir algo incrível.

Esteja atento que você não deve renegociar apenas no banco que está hoje. Tendo uma oferta melhor em outra instituição financeira, você pode pegar a proposta e voltar ao seu banco, que você atualmente está vinculado, e perguntar se ele cobre as condições para que você dê continuidade ao fluxo. Caso ele não consiga melhorar, sem vínculo, sentimentos e fidelidade, se coloque em primeiro lugar, e não tenha dúvida, mude.

Outro ponto é que se o banco que você tem o empréstimo ou financiamento não chegar a uma proposta mais atrativa, você precisa entender as taxas e despesas que a movimentação para outra instituição pode trazer, pois a mudança de credor e contrato pode acarretar em alguma despesa extra. No caso do financiamento imobiliário, por exemplo, precisa um desembolso maior, de forma mais imediata. Não deixe que isso te paralise, avalie e comprove se, mesmo fazendo esse desembolso, vale a pena a mudança. Muita gente desiste, no geral, por não ter o valor e, com isso, termina fadada a gastar muito mais no longo prazo.

Destaco que isso não acontece em tudo, há operações mais simples, que ao conseguir o crédito melhor numa outra instituição, você fará a simples troca da dívida mais cara pela mais barata, pegando o valor emprestado na nova instituição com condições melhores e quitará o da atual, que estava mais caro. PESQUISE, correr atrás é a base, essencial como destaquei antes, e reforço, isso só depende de você! Lembre: não é por ser o seu primeiro banco, aquele que você abriu a primeira conta, que é cliente dele desde a adolescência ou é o banco dos seus pais ou ainda do seu primeiro estágio, que você deve acreditar que é parceiro e vai oferecer as melhores condições. É comum ver casos que a pessoa sai de um banco que já é cliente há mais de vinte anos e um novo banco, que nunca teve relação antes, consegue condições bem melhores. Isso é o mercado, depende também de mais variáveis. Trago outra aqui: pode ser que uma determinada instituição que você procurou, naquele mês já tinha atingido a meta e, por isso, não flexibilizou. Já numa outra, conseguiu algo bastante interessante. Isso pode ser porque essa outra estava correndo atrás de atingir o resultado do mês e, por isso, precisou flexibilizar mais. Não se iluda, banco tem suas metas e corre atrás do resultado, estratégia, números.

Esteja aberto para mudanças, disposto, mesmo que não esteja com muito tempo disponível. Para mudar é preciso ter atitude. Se não muda, dança, e faz isso pagando um preço bem alto. Procure pleitear, negociar, articular e esquecer o lado emocional, a fidelidade com determinado banco. Não descarte de maneira alguma conhecer as Instituições Financeiras de Crédito e cooperativas. Muitas pessoas se surpreendem ao ver que elas também podem conseguir boas condições e até bater as oferecidas pelos grandes bancos.

Temos a alternativa do empréstimo consignado, mais seguro para o credor por ser descontado em folha, o que deixa um risco muito pequeno para ele e condições e juros menores para o cliente, tomador de crédito. Porém, sempre digo: muito cuidado com o consignado, pois você só vai deixar de ter o desconto no seu salário, em folha, no dia que quitar o seu saldo. Ou seja, se a situação apertar ainda mais e você tiver sem condições para o básico, não terá escolha. Diferente do empréstimo pessoal, que não recomendo, mas a depender da situação, tem a possibilidade de adiar um pouco o pagamento, jogar pra frente e retomar. Portanto, como quase tudo na vida, o consignado tem o lado bom, mas também o lado que pode penalizar você.

Tem ainda a possibilidade de refinanciar o carro ou imóvel, ou parte deles, o que permite acesso a juros menores, pelo fato do bem entrar como garantia. Outra alternativa é que você pode usar um bem (carro ou imóvel quitado, por exemplo) como garantia num empréstimo pessoal e, com isso, ter uma boa condição para barganhar melhores taxas de juros. A minha recomendação é que você não entre com essa possibilidade de frente, use como uma “carta na manga”. Primeiro, escute a proposta e depois pergunte: “e se eu tiver um bem como garantia em meu nome, como podemos melhorar?”. O uso de parte do seu FGTS também serve como garantia para tomar empréstimos e isso também pode te dar acesso a taxas melhores.

Mas o bom mesmo seria não precisar recorrer ao crédito. O que trouxe aqui foi destinado para quem já está vivendo essa realidade, mas antes de tomar empréstimos, é mais que válido buscar outras alternativas, é organizar melhor o orçamento (pegue a minha planilha para servir como base lá no meu instagram @personalfinanceiro), reduza despesas, corte, enxugue, substitua, procure aumentar a sua receita mensal, se desfaça de algo que não usa, venda ou troque e, dependendo da situação, até mesmo de algo que usa. Lembro aqui: o carro (e não só ele), ao vender, você se capitaliza e reduz também as suas despesas mensais, ataca em duas frentes. Mais uma vez, atitude, o empréstimo é o “mais fácil”, remedia, mas não resolve, por isso é enorme a quantidade de reincidentes nos empréstimos e tem pessoas que diante da realidade que vivem, pegam um empréstimo para pagar outro empréstimo. É necessário dar um basta.

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