Taiwan acusa China de aumentar tensão após demonstração militar

Foto: GREG BAKER/AFP

Neste sábado (2), Taiwan acusou a China de elevar a pressão e tentar minar a paz na região, após a incursão recorde de 38 aviões militares chineses na zona de defesa da ilha.

A demonstração de força de Pequim começou na sexta-feira (1º), aniversário do Dia Nacional da China, com a incursão de um número recorde de aviões militares chineses, 38 no total, incluindo um bombardeiro H-6 com capacidade nuclear.

Segundo o Ministério do Interior de Taiwan, houve outro recorde neste sábado, com a incursão de 39 aviões na zona da ilha. Os 23 milhões de habitantes do território, governado por um regime democrático, vivem sob a ameaça constante de uma invasão da China.

Pequim considera que a ilha pertence a seu território e ameaça conquistá-la, inclusive pela força, em caso de necessidade.

Desde que Xi Jinping assumiu, em 2012, a liderança do Partido Comunista da China e, em consequência, do país, os aviões militares chineses entram com frequência na Adiz (Zona de Identificação de Defesa Aérea) de Taiwan.

Mas a incursão de sexta-feira provocou uma resposta especialmente forte de Taipé.

"A China foi beligerante e atacou a paz regional ao executar vários atos de intimidação", declarou o primeiro-ministro Su Tseng-chang neste sábado. "É evidente que o mundo, a comunidade internacional, rejeita cada vez mais esses comportamentos da China."

O ministério da Defesa de Taiwan informou que 22 caças, dois bombardeiros e um avião antissubmarino entraram na sexta-feira na Adiz, ao sudoeste da ilha. Durante a madrugada de sábado, um segundo grupo de 13 aviões entrou na mesma zona, de acordo com o ministério.

Adiz não é o mesmo que o espaço aéreo de Taiwan, pois inclui uma área maior que se sobrepõe à parte da zona de identificação de defesa aérea da China continental e até mesmo parte de seu território.

As manobras aconteceram depois que o Reino Unido enviou na segunda-feira (27), pela primeira vez desde 2008, um navio de guerra ao Estreito de Taiwan, o mar que separa esta ilha da China continental e que Pequim considera uma passagem marítima muito sensível.

O exército chinês acusou o Reino Unido de atuar com "má intenção para sabotar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan". Estados Unidos e outros países julgam que essa zona pertence a águas internacionais e que, portanto, está aberta a todos.

No ano passado, 380 militares chineses foram detectados na Adiz e, no decorrer de 2021, mais de 500 já foram identificados. O recorde diário anterior havia acontecido em 15 de junho, quando 28 aeronaves entraram na zona de defesa aérea de Taiwan.

Alguns analistas advertem que as relações entre a China continental e Taiwan não eram tão tensas desde meados da década de 1990. Fontes militares dos Estados Unidos disseram temer que a China possa estar contemplando invadir a ilha.

Alexander Huang, professor associado da Universidade Tamkang de Taipé, considera que a incursão aérea mais recente não busca apenas enviar uma mensagem a Taiwan.

"A China envia uma mensagem política aos Estados Unidos e ao Reino Unido no dia de seu feriado nacional: 'Não façam bobagens em minha região'", disse Huang, ao recordar que Washington mantém dois porta-aviões na região e Londres, um.

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