Departamento de Estado dos EUA diz que Bolsonaro foi infeliz em mensagem

Foto: ALAN SANTOS/PR

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, neste sábado (19.fev), que o presidente Jair Bolsonaro "foi infeliz" ao demonstrar publicamente solidariedade à Rússia, que vive conflito envolvendo a Ucrânia e a Otan, aliança militar liderada pelos americanos.

"Vemos uma narrativa falsa de que nosso engajamento bilateral com o Brasil envolve pedir ao Brasil que escolha entre os Estados Unidos e a Rússia. Esse não é o caso. Esta é uma questão de o Brasil parecer ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um vizinho menor, uma postura inconsistente com a ênfase histórica do Brasil na paz e na diplomacia", disse um porta-voz americano em resposta ao SBT News.

"O momento da expressão pública de solidariedade do presidente do Brasil com a Rússia, no momento em que as forças russas estão se preparando para potencialmente lançar ataques a cidades ucranianas, foi infeliz. Isso mina a diplomacia internacional destinada a evitar um desastre estratégico e humanitário, bem como os próprios apelos do Brasil por uma solução pacífica para a crise", completou o representante dos Estados Unidos.

Na 6ª feira (18.fev), a porta-voz americana Jen Pskai, já havia afirmado em coletiva que o "Brasil pode estar do outro lado" no conflito: "Eu não discuti os comentários dele com o presidente. Mas o que eu diria é que a grande maioria da comunidade global está unida em uma visão compartilhada de que invadir outro país, tentar tomar algumas de suas terras, aterrorizar seu povo, certamente não está alinhado com os valores globais. E assim, acho que o Brasil pode estar do outro lado de onde está a maioria da comunidade global".

Neste sábado (19.fev), por meio de nota, o Itamaraty lamentou a declaração da porta-voz da Casa Branca: "As posições do Brasil sobre a situação da Ucrânia são claras, públicas e foram transmitidas em repetidas ocasiões às autoridades dos países amigos e manifestadas no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). O Ministério das Relações Exteriores não considera construtivas, nem úteis, portanto, extrapolações semelhantes a respeito da fala do presidente (Jair Bolsonaro)".

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