Chanceler da Rússia diz que Brasil, China e Índia não querem receber ordens do 'Tio Sam'

Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia/Divulgação/REUTERS


O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que o Brasil, entre outros países, não querem receber ordens do "Tio Sam", em referência ao governo dos Estados Unidos.

Em entrevista publicada na sexta-feira (18) pela emissora estatal russa RT, Lavrov listou China, Índia, Brasil, Argentina e México como países que, assim como a Rússia, não aceitariam receber ordens dos EUA.

“Há atores que nunca aceitariam uma aldeia global com um xerife americano", disse o chanceler russo. "China, Índia, Brasil, Argentina, México. Tenho certeza de que esses países não querem estar em uma posição em que o Tio Sam lhes ordene fazer algo e eles digam 'Sim, senhor'.”

Durante a entrevista, Lavrov disse que a Rússia perdeu todas as ilusões sobre confiar no Ocidente e Moscou nunca aceitará uma visão do mundo dominada pelos EUA.

O g1 perguntou ao Itamaraty se o governo brasileiro apresentou ao Ministério das Relações Exteriores russas informações que corroborassem essa afirmação e de que forma ela poderia interferir nas relações entre o Brasil e os EUA. Até a última atualização desta reportagem, o Itamaraty não havia respondido.

O Brasil tem mantido uma posição contrária à invasão russa da Ucrânia em seus votos na ONU, apesar de o presidente Bolsonaro não se posicionar claramente contra a iniciativa de Moscou, que o governo de Vladimir Putin classifica como "operação militar especial". O representante brasileiro nas Nações Unidas votou a favor de uma resolução contra invasão da Ucrânia pela Rússia, junto a ampla maioria de países.

"Renovamos nosso apelo pela cessação total das hostilidades, pela retirada das tropas e pela retomada imediata do diálogo diplomático", disse o embaixador Ronaldo Costa Filho na ocasião.

Nesta quinta-feira (18), o representante brasileiro no Conselho de Segurança da ONU, João Genésio Almeida, reforçou a posição contrária à invasão russa e afirmou que o imediato cessar das hostilidades na Ucrânia e a garantia segura da passagem de civis "é fundamental".

"Só com um cessar-fogo abrangente e respeitado é que é possível dar acesso rápido e seguro de assistência humanitária àqueles que precisam", disse Almeida.

Essas foram as manifestações oficiais do Brasil contra a invasão russa. No entanto, em fevereiro, o vice-presidente Hamilton Mourão foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro após dizer que ele não concordava com a invasão. Até a última atualização desta reportagem, Bolsonaro não havia feito um pronunciamento oficial condenando a ação da Rússia.

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