Candidatos derrotados farão ‘composição’ por Macron na França, avalia especialista

EFE/EPA/STEPHANIE LECOCQ/ POOL


Com a definição de Emmanuel Macron e Marine Le Pen para a disputa do segundo turno da eleição presidencial na França, candidatos derrotadas encabeçam propagandas em prol do atual presidente, avalia o professor de Relações Internacionais e procurador do Estado de São Paulo José Luiz Moraes. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta segunda-feira, 11, ele avaliou o cenário para a próxima disputa, que acontece em 24 de abril, e os desafios dos candidatos, assim como as movimentações políticas das próximas semanas.

“Sem duvida nenhuma, haverá uma composição em prol do atual presidente, Emmanuel Macron, principalmente do terceiro colocado, que ficou com uma votação muito expressiva e próxima a de Le Pen. Jean-Luc Mélenchon é um líder de esquerda, de extrema esquerda em oposição à extrema direita. Então, sem duvida nenhuma, haverá apoio ao atual presidente, com expectativa de votação de eleitores desse colocado e também da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que teve uma votação pouco expressiva”, pontuou José Luiz Moraes, que prevê uma “dicotomia” entre a esquerda e a direita, com a figura de Macron ocupando a posição central, como aconteceu em 2017, quando o atual presidente venceu Marine Le Pen.


No entanto, mesmo com o provável apoio dos outros candidatos a Macron, aspectos econômicos podem prejudicar o candidato no segundo turno, como o aumento dos preços em razão da guerra entre Ucrânia e Rússia. “Obviamente, um candidato de situação fica sujeito a intempéries do momento, como o grande aumento de preços que a Europa e o mundo está sentindo em relação ao conflito Rússia e Ucrânia, principalmente de fontes energéticas. Então, sentimos a revolta da população que sente no bolso o aumento de preços e isso vai refletir negativamente contra Macron. Mas, do outro lado temos um discurso xenofóbico e muito radical, o que causa uma indignação de grande parte do eleitorado”, menciona José Luiz Moraes, que cita perda de 11% das intenções de voto ao atual presidente nos últimos meses, o que também pode estar relacionado com o crescimento da direito no país. ” Não vejo grande vitória por parte da extrema direita, mas desde 1945 ela aparece de for crescente, velada e cada vez mais escancarada na França atual, o que era inimaginável. Há um sensível crescimento da direta em toda Europa, um movimento xenofóbico muito forte”, completou.

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