Rússia quadruplica ataques à Ucrânia: entenda por que nova ofensiva no leste ucraniano pode ser decisiva

Tanques russos avançam sobre área próxima a Mariupol, um dos focos da nova fase da guerra ucraniana, junto com a região do Donbass, no leste da Ucrânia — Foto: Alexei Alexandrov/ AP


Depois de 55 dias sem conseguir conquistar territórios, a Rússia aposta todas as fichas nos ataques desta semana, que Moscou chamou de "segunda fase da guerra", baseada em ataque ostensivos e com foco no leste da Ucrânia. Só nesta terça-feira (19), tropas russas quadruplicaram o número de bombardeios em território ucraniano na comparação com o dia anterior, a grande maioria deles no leste do país.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, suas tropas realizaram 1.260 ataques durante a madrugada. O número é quatro vezes maior que os 315 ataques feitos na véspera, uma quantidade já bastante superior aos dias anteriores.

O governo ucraniano também disse que identificou a nova fase da guerra da Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que as novas ofensivas na região do Donbass já começaram.

A ofensiva é vista como decisiva para o desfecho da guerra, porque pode culminar tanto na conquista para a Rússia de territórios do leste da Ucrânia como em um grande rombo no orçamento de Moscou. O governo russo deslocou quase todo seu Exército e armamento de guerra para a região, e pode ainda sofrer mais sanções em decorrência dos novos ataques.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse nesta terça-feira (19) prever um desdobramento significativo da nova fase. "Outra etapa desta operação (no leste da Ucrânia) está começando e estou certo de que este será um momento muito importante de toda esta operação especial", declarou.

Uma "parte muito grande de todo o Exército russo está agora focada nesta ofensiva", disse Zelensky em um discurso em vídeo. "Não importa quantas tropas russas eles enviem para lá, nós vamos lutar. Vamos nos defender."

O chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, garantiu aos ucranianos que suas forças podem conter a ofensiva. "Acreditem em nosso Exército, ele é muito forte", disse.

O que dizem os líderes locais?

O governador ucraniano da região de Lugansk, Serguei Gaidai, também anunciou o início da ofensiva russa contra o leste da Ucrânia.

"Isso é um inferno. A ofensiva da qual falamos há semanas começou", disse Gaidai no Facebook. "Há combates em Rubizhne e Popasna, combates incessantes em outras cidades pacíficas", completou.

Pelo menos oito civis morreram nesta segunda-feira por disparos e ataques russos, de acordo com as autoridades regionais.

Quatro pessoas morreram em Kreminna, uma pequena cidade da região de Lugansk tomada pelos russos nesta segunda-feira, declarou Gaidai no Telegram.

Outras quatro pessoas faleceram na região de Donetsk, segundo o governador ucraniano dessa região, Pavlo Kyrylenko.

Após fracasso em Kiev, Donbass vira foco

Após fracassar na primeira tentativa de tomar a capital ucraniana, os russos focam agora em aumentar sua influência nas regiões separatistas do leste. O objetivo da nova ofensiva é capturar a totalidade das regiões de Donetsk e Lugansk, além de Mariupol, a cidade portuária do sul que está cercada há semanas. A ideia de Moscou é criar um corredor entre essa região e a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Mariupol

Mariupol é um dos grandes objetivos da Rússia, que desde o início da guerra cerca a cidade portuária, que fica no sul do país. Moradores e soldados, no entanto, apresentaram forte resisitência. Nesta terça-feira (19), a batalha acontece no complexo industrial de Azovstal, o último ponto de resistência em Mariupol.

O governo russo afirmou que soldados ucranianos lutando no local se entregaram, mas a Ucrânia não confirma.

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