Cercado por escândalos, Boris Johnson renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

Boris Johnson fala — Foto: Phil Noble/Reuters


O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (7), após grande pressão para tomar a decisão e da renúncia de 59 membros de seu governo desde a última terça-feira (5).

"Claramente, a vontade do Partido Conservador agora é deve haver um novo líder do partido e, portanto, um novo primeiro-ministro. Eu continuarei até que um novo líder esteja no meu lugar", disse. Segundo ele, o processo de escolha deve começar imediatamente e o cronograma será divulgado na próxima semana.

É claramente agora a vontade do Partido Conservador parlamentar que deve haver um novo líder do partido e, portanto, um novo primeiro-ministro

A rede britânica BBC já havia informado que Johnson renunciaria como líder do partido conservador nesta quinta-feira, o que significa que também deixaria o posto de chefe de Governo. E Downing Street ainda anunciou que ele fará um discurso aos britânicos durante o dia.

O governo do então primeiro-ministro passou por diversos escândalos que contribuíram para que vários políticos protestassem contra a sua legitimidade.

Os escândalos incluem o funcionário conservador Chris Pincher, que ocupava
um importante cargo parlamentar, e na semana passada se demitiu após ser acusado de apalpar, embriagado, dois homens.

O governo reconheceu na terça-feira que o primeiro-ministro havia sido informado de alegações anteriores contra Pincher em 2019, mas as "esqueceu".

Além disso, houve a investigação sobre o "partygate", festas celebradas em Downing Street (residência oficial) em meio às medidas restritivas para conter a Covid-19 no Reino Unido. Boris Johnson participou de uma festa surpresa por ocasião de seus 56 anos em junho de 2020 na sala do conselho de ministros.

Durante meses, uma dúzia de supostas festas organizadas nas dependências do governo durante os períodos de isolamento foram investigadas e a imprensa local destacou a presença de Johnson em várias delas.

Ele pediu desculpas pelas festas, que incluíram desde celebrações natalinas até a massiva despedida de um funcionário na véspera do funeral do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth 2ª, em cujo enterro só puderam ir 30 pessoas socialmente distanciadas devido às restrições impostas pela crise sanitária.

Boris Johnson vai ser investigado por uma comissão parlamentar que irá apurar se ele enganou conscientemente os deputados quando, em dezembro, negou a celebração de festas durante os confinamentos.

O governo Johnson também passou pelas instabilidades causadas pelo financiamento irregular da luxuosa reforma de sua residência oficial e pelas acusações de compadrio.

O então primeiro-ministro sobreviveu a uma tentativa de removê-lo do poder no início de junho. Apoiado por 211 de seus 359 legisladores, seguiu no cargo, mas os 148 votos contra ele deixaram claro que o descontentamento era muito grande.

O reveses eleitorais, o mais recente em 23 de junho em duas eleições de meio de mandato, também convenceram um número crescente de políticos do Partido Conservador de que Johnson não poderia mais levá-los a uma nova eleição em 2024.

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