A Polícia Federal prendeu quatro pessoas suspeitas de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) em diferentes cidades de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (21). Outra pessoa foi alvo de mandado de condução coercitiva cumprido e levada para prestar depoimento.
Outras pessoas foram presas em nove estados na operação sigilosa de combate ao terrorismo que em outros estados, informou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em entrevista coletiva concedida em Brasília.
De acordo com a PF, os quatro mandados de prisão em São Paulo foram cumpridos em quatro cidades diferentes: na Zona Leste da capital, em Campinas, em Guarulhos e em Amparo.
Os presos estão à disposição da Justiça Federal, sob custódia da Polícia Federal, mas nenhum deles foi para a Superintendência da corporação em São Paulo, na Lapa, Zona Oeste.
Às 15h, eles embarcaram em um avião da corporação no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. A PF afirmou, ainda, que não será informado o local para onde eles serão levados por questões de segurança.
Foram as primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.
As prisões, segundo o Ministério da Justiça, ocorreram no Amazonas, no Ceará, na Paraíba, em Goiás, no Mato Grosso, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul, informou a assessoria do Ministério da Justiça. O governo e PF não divulgaram os nomes dos suspeitos e nem para onde eles foram levados depois da prisão.
O governo e a Polícia Federal não divulgaram os nomes dos presos nem para onde foram levados. De acordo com o jornalista Cesar Tralli, da TV Globo, por volta das 13h30, havia quatro detidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, que embarcariam em um avião da PF.
Alexandre de Moraes disse que os detidos não tiveram qualquer contato com membros do Estado Islâmico e que se trata de uma "célula absolutamente amadora", porque não tinha "nenhum preparo".
"Mas obviamente que não podemos, nenhuma força de segurança, ignorar isso. [...] Só o fato de começarem atos preparatórios, não seria de bom senso aguardar para ver, e o melhor era decretar a prisão deles", afirmou o ministro. Moraes, porém, não detalhou quais foram os "atos preparatórios" que motivaram a prisão dos suspeitos.
Segundo o ministro, os detidos na operação, batizada de "Hashtag", nunca haviam se encontrado pessoalmente e eram monitorados há meses pela polícia. Eles costumavam se comunicar pela internet, pelo WhatsApp e pelo Telegram.
Questionado sobre como foi o monitoramento dos suspeitos, já que o WhatsApp foi bloqueado mais de uma vez pela Justiça brasileira justamente por não fornecer dados para investigações, o ministro inicialmente não quis responder. Depois disse que revelar como foi o monitoramento atrapalharia a investigação.
Isabela Leite e Will SoaresDo G1 São Paulo
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