Irã lança nova onda de ataques contra bases dos Estados Unidos no Golfo

Hezbollah ataca Israel em resposta a operação contra Irã | Reprodução/redes sociais


A Guarda Revolucionária do Irã lançou mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico, nesta segunda-feira (16). Os ataques acontecem em retaliação à operação de Washington no Irã, em cooperação com Israel.

Entre os alvos do regime iraniano estão os Emirados Árabes Unidos, onde os Estados Unidos possuem bases em Abu Dhabi e Dubai. O Ministério da Defesa local afirmou que acionou o sistema de defesa aérea para interceptar mísseis e drones iranianos, lançados contra todo o país. Em Dubai, o aeroporto internacional precisou suspender os voos após um drone atingir um tanque de combustível.

A Arábia Saudita também identificou novos lançamentos, derrubando mais de 10 drones durante a madrugada. O mesmo ocorreu em Kuwait, onde militares interceptaram drones direcionados à base aérea de Ali Al Salem, que abrigava forças norte-americanas e italianas. Segundo o chefe do Estado-Maior da Defesa, Luciano Portolano, não houve danos e ambas as equipes estavam seguras.

Outro que continua na lista de alvos do Irã é Israel. Na noite de domingo (15), a Guarda Revolucionária lançou mísseis contra todo o território israelense. Os moradores foram aconselhados a se abrigarem em bunkers, enquanto os “sistemas de defesa operam para interceptar a ameaça”.

Em resposta, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram novos ataques contra alvos do regime iraniano em Teerã. Ao mesmo tempo, as tropas intensificaram a operação no sul do Líbano, mirando militantes e estruturas do grupo Hezbollah — aliado do Irã. Além dos ataques aéreos, os militares iniciaram "operações terrestres limitadas" para “destruir” ameaças na região.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Postar um comentário

0 Comentários