Seres diz que fogo atingiu maior parte do pavilhão. Objetos foram perdidos.
Polícia acredita que um dos mortos provocou fogo para escapar de briga.
O incêndio que resultou na morte de dois detentos no Complexo Prisional do Curado, na madrugada desta terça-feira (21), também destruiu a maior parte do pavilhão A do Presídio Aspirante Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa), na Zona Oeste do Recife. Segundo a Secretaria Executiva de Ressocialização de Pernambuco (Seres-PE), o local está sendo limpo e tendo sua estrutura avaliada nesta manhã. Os presidiários aguardam a manutenção em outro espaço da unidade. A causa das mortes e do incêndio estão sendo investigadas pela polícia.
O delegado José Cláudio Nogueira, gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (DHPP), esteve no presídio logo depois do incêndio e confirmou que pouca coisa foi salva. Segundo ele, na madrugada já era possível ver parte do reboco caindo e uma parede que foi quebrada pelos agentes penitenciários na tentativa de salvar os detentos. Já os objetos dos presos estavam todos perdidos. “Em relação a objetos, a destruição do pavilhão foi total. Havia muita fumaça, água e objetos espalhados pelo chão. Os presos estavam todos do lado de fora”, contou, lembrando que no local havia muitos materiais que contribuíram para a propagação do fogo, como colchões, plásticos e lençóis.
O levantamento dos danos está sendo realizado na manhã desta terça por uma equipe de manutenção da Seres. O secretário Éden Vespasiano acompanha o trabalho. Pedro Eurico, secretário estadual de Justiça e Cidadania, também deve visitar o Pamfa nesta terça. O pavilhão ainda será periciado pelo Instituto de Criminalística, que vai apontar as causas do incêndio. Segundo a Seres, um curto-circuito deu origem às chamas por volta da 0h40. No entanto, a polícia acredita que um dos presos que acabou morto ateou fogo ao pavilhão.
problemas na cadeia e já teria tentado fugir antes
usando fogo (Foto: Kety Marinho / TV Globo)
“Foi repassado para nós que teria havido um incêndio dentro do presídio, durante uma rebelião no Pamfa. Chegando lá, os policiais constataram que o corpo ainda estava na cela, como se estivesse tentando se proteger dentro de uma caixa d’água. Quando o corpo foi retirado do local, foram encontradas duas facas com ele. Então, surgiu o comentário por parte de outros presos de que este preso tinha conflitos dentro da cadeia, já tinha foragido (sic) do presídio e já teria utilizado inclusive de fogo para tentar fugir; levantando aí a suspeita de que ele mesmo possa ter causado este incêndio, de forma a evitar que fosse agredido pelos outros presos”, revelou o delegado José Cláudio Nogueira.
Segundo Nogueira, o preso não tinha sinais aparentes de perfuração de faca ou sinais de agressões que pudessem ter ocasionado a morte. Mas o gestor do DHPP acredita que houve uma briga no pavilhão e o detento teria ateado fogo em algo, achando que as chamas não se alastrariam pelo restante da cela, para chamar a atenção dos agentes penitenciários e escapar. No entanto, o fogo se espalhou e ele foi encurralado na cela em que estava, a última do pavilhão. O local acabou tomado por chamas e fumaça e outro detento também morreu. As circunstâncias desta morte ainda estão sendo investigadas.
De acordo com o delegado, apenas o IML pode indicar o que de fato matou os dois detentos. Mas, segundo a Seres, a princípio, as duas mortes foram causadas por asfixia, decorrente da inalação de fumaça. A pasta informou ainda que a segunda vítima foi socorrida pelos outros detentos e levada para a enfermaria do presídio. No entanto, já chegou lá morto. O corpo só foi removido pelo Instituto de Medicina Legal (IML) por volta das 9h desta terça. Segundo a Seres, o homem tinha 33 anos de idade. Já a primeira vítima, encontrada pela polícia dentro da caixa d’água, tinha 36 anos.

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