Diabéticos de Petrolina estão há três meses sem fitas para medir glicemia

Jaíza mostra aparelho e acessórios que usa para medir a glicemia (Foto: Juliane Peixinho / G1)

Em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, diabéticos estão há três meses sem acessórios para a medição da glicemia. O direito aos insumos é garantido por lei e deve ser fornecido pelo município e o estado, mas segundo a Associação dos Diabéticos do São Francisco, nenhuma das instâncias está fornecendo o material, que é indispensável para o controle diário da doença.
Estudante de magistério Jaiza de Ataíldes Santos Gomes, de 24 anos, tem diabetes desde os 12 anos de idade. Por recomendação médica, ela precisa fazer a medição, no mínimo, três vezes ao dia. Entretanto, a rede pública está em falta das fitas e lancetas, que são as agulhas descartáveis usadas para fazer o exame. “É difícil principalmente para mim que tenho diabetes descompensada e eu tenho que ter um controle diário. Está faltando a fita e a lanceta, e no posto de saúde a gente não pode pedir para verificar a glicemia, porque lá também está em falta”, explica.
Associação dos diabéticos do São Francisco cobra insumos  (Foto: Juliane Peixinho / G1)Associação dos diabéticos do São Francisco
cobra insumos (Foto: Juliane Peixinho / G1)
A última vez que Jaiza recebeu as fitas foi em abril, ela ganhou 100 fitas que foram suficientes para 1 mês e três dias. “Eu estou regrando as fitas e fazendo uma vez ao dia. Então, eu tomo a insulina sem saber como está a diabetes, porque é uma doença silenciosa e qualquer momento pode matar. Para comprar, 50 tiras custa R$93 e não dá para a gente que vive com um salário-mínimo”, relata.

A falta de controle pode ter sérias consequências. “Eu já estive em coma por causa disso no ano de 2007, do mau controle. Hoje eu estou bem. Mas deve ter diabéticos em situações piores. Quantos não tiveram que amputar um membro? Quantos cegos têm por causa disso? ”, questiona.
O aposentado Sebastião Amorim é diabético desde criança e há dez anos faz hemodiálise. “O diabetes mau cuidado ele leva a vários problemas neuropatia e preciso fazer monitoramento cinco vezes ao dia para eu tomar a insulina rápida. Hoje eu já tenho outros problemas renais e faço hemodiálise, e sou hipertenso. Se não controlar, mas problemas aparecem. Já tive problemas nos pés e se não for com as fitas é muito complicado manter o controle”, ressalta.
A presidente da Associação dos Diabéticos do São Francisco, Antonise Coelho de Aquino, informou que são 356 pessoas associadas e que elas estão com o controle da diabetes prejudicado. “A melhor forma do diabético de fazer essa automonitorização é fazer o controle diário. O governo municipal disse que o estado tinha parado de colaborar com o repasse de fitas e lancetas e não disse o motivo. O município fez uma licitação para compra de fitas e lancetas, mas também não informou uma data prevista para a chegada desses insumos”, revela.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que Farmácia de Pernambuco deve ser abastecida até a segunda quinzena de agosto. Já a Secretária Municipal de Saúde comunicou em nota que as fitas já chegaram e que estarão disponíveis nesta terça-feira (2) na Fármácia da Fámília , que fica na Rua Tobias Barreto, no Centro de Petrolina. informações da Juliane Peixinho /G1 Petrolina.

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