“Esquecendo” livros pela cidade, estudantes de Letras estimulam a leitura em Petrolina (PE)

O ambulante ficou feliz ao saber que o livro era dele. (Foto: Reprodução/Instagram)


Nesta quinta-feira, 12 de outubro, comemora-se o Dia Nacional da Leitura. Ler é um hábito comum para muitas pessoas, que veem na leitura um meio de conhecer outras culturas, embarcar em boas histórias e até de aprender outras formas de ver e pensar a vida. Em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, duas estudantes de Letras da Universidade de Pernambuco (UPE) resolveram estimular este hábito de uma forma diferente, porém interessante: “esquecendo” livros pela cidade.

O projeto ‘Literatura Urbana’ teve sua primeira ação no mês passado, no dia 5 de setembro, após a aprovação do Projeto de Lei de número 116/2017, que estabeleceu a data como o Dia Municipal do Livro, Leitura e Literatura, em Petrolina. Ludmilla Barboza e Karla Gomes são estudantes de Letras do 4º e 3º semestres da UPE, respectivamente, e a vontade de criar uma ação como essa surgiu, primeiro, do estímulo de um professor
“O professor que estava à frente da ação na Câmara passou de sala em sala [na universidade] dizendo pra criarmos ações para a data”, explicou Ludmilla.

E foi uma inquietação de ambas que deu força à criação do projeto Literatura Urbana na cidade.
“Aqui [em Petrolina] não tem livraria, não tem uma boa biblioteca. Então, o acesso ao livro é muito difícil. Poderíamos doar [livros] para a biblioteca, mas achamos que não seria muito útil porque as pessoas não frequentam. Pensamos ‘por que não esquecer livros pela cidade?’” disse Ludmilla.

Uma influência estrangeira também fez crescer a vontade das duas de realizar a ação.
“Tivemos a influência de uma atriz [americana], Emma Watson, que no ano passado promoveu o esquecimento de livros em metrôs de Londres [na Inglaterra]”, comentou.

No dia 05 de setembro, vários livros como esse foram "esquecidos" pelas ruas de Petrolina. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em poucos dias, a ideia das alunas se fortaleceu com o apoio de outros estudantes de Letras, que tornaram-se voluntários do projeto.
“Outros alunos do curso também tiveram essa ideia, então a gente pensou em unificar todas as pessoas e fazer uma ação maior com todo mundo. A partir desse momento, criamos um Instagram [do projeto] e um grupo no Whatsapp com mais de 30 voluntários. Cada um ficou responsável por colher doações”, explicou Ludmilla.

Após a arrecadação de livros com parentes, amigos, com a população e até do acervo pessoal, os voluntários foram deixando livros em diversos pontos de Petrolina, como as praças Maria Auxiliadora, da Sementeira, do Bambuzinho e do Rio Corrente, rodviária, catedral, orla e outros locais.
“Houve uma divisão de grupos para que pudessem juntar todos os livros e ir esquecendo [nas ruas]. Registramos um ambulante lendo um livro. Ele disse que gostava muito de ler, mas não sabia onde encontrar livros”, lembrou Ludmilla.

Foram
“esquecidos” mais de 200 livros dos mais variados gêneros literários, desde clássicos como Dom Casmurro, de Machado de Assis; até best-sellers como A Culpa é das Estrelas, de John Green. Todas as obras traziam um bilhete que explicava o projeto.
Na Praça do Bambuzinho, Centro de Petrolina, populares pararam para pegar os livros. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Se tiveram 200 livros e cada pessoa levou um, foram 200 pessoas beneficiadas. Se uma delas virou leitor, é isso o que agente espera que aconteça. E que essa pessoa continue a ler e continue procurando meios de conseguir livros”
, destacou Ludmilla.

As estudantes contam que pretendem continuar com o projeto.
“Pretendemos fazer novamente durante o Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura no Sertão (Clisertão), [realizado anualmente em Petrolina]. Mas, acredito que daqui para o final do ano vai ocorrer novamente”, disse Ludmilla. As informações são do G1 Petrolina.

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