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Mycaella Bezerra se reconhece como mulher desde os quatro anos de idade. — Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução, G1

"Ser mulher vai além de nascer com uma vagina. Para além de uma construção social, é ser uma fortaleza perante uma sociedade que nos coloca como inferiores. Nós mulheres, em nossa pluralidade, somos o pilar familiar e social". É assim que a estagiária de Ciências Sociais, Mycaella Bezerra, define a identidade feminina. Apesar de se reconhecer como mulher desde os quatro anos de idade, hoje, aos 37, a moradora de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, coleciona tristes histórias que vivenciou para ser respeitada socialmente.
"Minha vida escolar foi um verdadeiro inferno. Os meninos sempre me perseguiram por eu ter um jeito afeminado. No segundo ano do Ensino Médio, entraram uns alunos novos no Colégio e um deles era preconceituoso ao extremo. Um dia na saída do Colégio, ele resolveu me seguir e do nada começou à atirar pedras em mim, eu fiquei sem reação e muito assustada", conta Mycaella, lembrando outro caso de violência durante a adolescência.

"Aos 16 anos estava caminhando numa avenida de Vitória de Santo Antão-PE, quando do nada um jovem começou a me xingar. Alguns quarteirões à frente, esse jovem se juntou a dois homens e os três vieram falando: "Tu vai morrer veado, nós vamos te matar". Eu saí correndo para escapar e nesse fuga, tropecei e quebrei o cotovelo direito. Graças a Deus escapei, fiz três cirurgias para correção do cotovelo, dois anos e meio de fisioterapia para recuperar o movimento do braço. Foi muito difícil, pois, eu não pude falar a verdade para meus pais, tive que mentir dizendo que foi uma tentativa de assalto", lamenta.

Mycaella associa o preconceito ao fato de ser mulher trans. A condição é caracterizada quando uma pessoa nasce com o sexo masculino, mas possui sentimento de identificação e pertencimento pelo gênero feminino. Muitas mulheres trans passam pelo processo de transição de gênero através de terapia hormonal e algumas submetem-se a cirurgia de redesignação. As medidas auxiliam na adequação do corpo à mente.

"Eu iniciei minha transição tardiamente, há 17 anos, pois meus pais nunca me aceitaram. Se eu tivesse iniciado cedo, na adolescência, que é a época indicada, eu teria sido expulsa de casa. Iniciei por conta própria, pois são poucos os endocrinologistas que fazem o acompanhamento de pessoas Trans. Após dez anos se harmonizando por conta própria foi que consegui uma consulta com um endócrino especialista no Recife e passei a ter o atendimento adequado".
Mesmo após iniciar a transição, terminar a vida escolar e ingressar na universidade, Mycaella vivenciou outras situações de transfobia, o preconceito contra pessoas transgêneras. "Na universidade que estudo foi regulamentado o uso do nome social por estudantes travestis e transexuais, mas, um professor passou a não respeitar meu nome social e me chamar pelo meu nome de batismo, mesmo tendo conhecimento do meu nome social e de que a Universidade o adotou".

"[ No semestre] Em 2013.2, quando iniciei as aulas, fui ameaçada por alguns estudantes homens de cursos de Engenharia. Eles falavam que ali não era lugar para veado, que se eu não saísse, eles iriam me bater. Eu ficava em pânico, pois já tinha sofrido a tentativa de assassinato. Mas me fazia de desentendida. Não desisti do curso e eles nunca me bateram".

Para a estagiária, o fato da violência ser praticada geralmente por homens, retrata um duplo machismo. "Com certeza a mulher trans sofre mais, pois o machismo coloca as mulheres como inferiores. E não é admissível uma pessoa nascer com o objeto máximo da masculinidade, o órgão genital masculino e simplesmente não se reconhecer enquanto homem, transitando para o sexo considerado inferior", avalia.

O conjunto de situações de medo que viveu fazem com que a palavra resistência seja uma constante na vida de Mycaella. "Ser mulher trans é ter sua existência negada 24h por dia. É viver com medo de sofrer alguma violência verbal ou física por ser quem é, pois, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. É, por vezes, perder o convívio familiar, é viver à margem social, já que o único lugar que é permitido a uma trans, é a esquina e na madrugada. É ter sua imagem associada a marginalidade".
Para que essa realidade mude, Mycaella acredita que dois sentimentos são fundamentais, empatia e respeito. "Que as pessoas olhassem para nós pessoas Trans com empatia e respeito. Não queremos privilégios nem mais direitos, queremos os mesmos direitos que todo cidadão tem. Queremos poder ir e vir, sem medo de sofrer uma agressão verbal ou física, simplesmente, por ser quem somos", finaliza. As informações são da Amanda Lima / G1 Petrolina.

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