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Manchas de óleo na Praia de Pirambu — Foto: Reprodução/TV Sergipe

Subiu para 53 o número de cidades atingidas por manchas de óleo localizadas nos litorais do Nordeste desde o início de setembro. Segundo relatório mais recente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o petróleo cru, que não é derivado do óleo, foi encontrado em 112 locais.

Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema

Ao todo, 8 estados foram atingidos pela mesma substância e o Ibama solicitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza das praias. Em nota, a Petrobras afirma que o material não foi produzido e nem comercializado pela companhia.

Ainda não se sabe a origem da substância, mas a suspeita é que o petróleo tenha vindo de navios que passam pela região, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que está analisando imagens de satélite do mar.

Confira quantos locais foram atingidos em cada estado, segundo o Ibama:

Alagoas: 11 locais
Ceará: 8 locais
Maranhão: 11 locais
Paraíba: 16 locais
Pernambuco: 18 locais
Rio Grande do Norte: 43 locais
Sergipe: 4 locais
Piauí: 1 local

Origem da substância

Há suspeita de que a contaminação tenha relação com navios petroleiros. A hipótese é que algum deles tenha efetuado uma limpeza nos tanques e despejado os rejeitos no mar.

Em entrevista ao G1 na sexta-feira (27), o diretor da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, Eduardo Elvino, disse que o órgão está atuando em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para identificar possíveis fontes do vazamento.

O trabalho envolve analisar imagens de satélite que abrangem 187 quilômetros do litoral dos estados de Pernambuco e Paraíba. Segundo Elvino, ainda não é possível apontar quais navios podem ser responsáveis pela tragédia ambiental porque a análise está em estágio inicial.

"Com essa varredura das imagens de satélite a gente identificou os pontos no mapa que podem ser navios, e aí estamos analisando a existência de pontos pigmentados ao lado desses possíveis navios. Esses pontos coloridos podem ser realmente manchas de óleo, mas também podem ser cardumes de peixe ou concentrações de alga, por exemplo. São várias possibilidades", explica Elvino.

Segundo o coordenador do sindicato dos trabalhadores na indústria do petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB), Rogério Almeida, a prática é proibida, mas ainda é realizada.

"É um óleo grosso, quase um piche. Pode ser rejeito de um navio após a limpeza dos tanques. Muitos navios continuam fazendo isso e deve ter caído em uma corrente marítima", disse Almeida.

De acordo com Elvino, com a identificação das correntes marinhas, "existe a possibilidade de identificar o navio que fez a referida rota" e tentar rastrear se "o piche encontrado nas praias faz parte do combustível dos navios". Segundo o analista, pela legislação, o produto deve ser descartado nos portos, onde empresas especializadas recolhem o material.

Animais afetados

O óleo já atingiu ao menos nove tartarugas e uma ave bobo-pequeno ou furabucho (Puffinus puffinus), conhecida pela longa migração. Segundo o Ibama, uma das tartarugas foi devolvida ao mar e outra foi encaminhada a um centro de reabilitação. Sete tartarugas foram encontradas mortas ou morreram após o resgate. A ave também não resistiu ao óleo.

1/9 - 1 tartaruga marinha - Praia de Sabiaguaba, Fortaleza (CE) - morta
4/9 - 2 tartarugas marinhas - Praia do Paiva, Cabo de Santo Agostinho (PE) - morta
7/9 - 1 ave bobo pequeno - Praia de Cumbuco, Caucaia (CE) - morta
11/9 - 1 tartaruga marinha - Praia de Jacumã, Ceará-Mirim (RN) - viva
16/9 - 1 tartaruga marinha - Ilha dos Poldos, Aroises (MA) - morta
22/9 - 1 tartaruga marinha - Praia de Itatinga, Alcântara (RN) - viva
22/9 - 1 tartaruga marinha - Praia da Redinha Nova, Extremoz (RN) - morta
23/9 - 1 tartaruga marinha - Praia da Redinha Nova, Extremoz (RN) - viva
24/9 - 1 tartaruga marinha - Jericoacoara, Jijoca de Jericoacoara (RN) - morta. As informações são do G1.

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