Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandado, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, Trump disse cogitar uma operação militar caso o Irã não chegue a um novo acordo sobre seu programa nuclear. Uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln foi enviada ao país, sendo maior do que a designada para a operação norte-americana na Venezuela, realizada em 3 de janeiro, a qual resultou na captura do ditador Nicolás Maduro sob acusações de narcoterrorismo.
Apesar de prometerem uma “forte resposta” em caso de ataque, autoridades iranianas temem que as negociações sejam a última chance de evitar uma ação militar norte-americana, que pode desestabilizar ainda mais o país. Isso porque, desde dezembro de 2025, o regime iraniano é alvo de protestos em massa, cuja repressão violenta, que já deixou milhares de mortos, vem chamando a atenção mundial.




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