Orquestra Contemporânea de Olinda recheia CD com referências populares

"Bomfim", lançado nesta quinta, é dedicado aos ritmos e figuras da cidade.
Grupo pernambucano investe no frevo, forró e também em sons caribenhos.

A big band olindense lança o seu terceiro trabalho em plataformas virtuais (Foto: Beto Figueirôa / Divulgação)A big band olindense lança o seu terceiro trabalho em plataformas virtuais (Foto: Beto Figueirôa / Divulgação)A segunda música do novo CD da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO), “Bomfim”, traz o verso: “Eu não troco meu lugar, nêga, por lugar nenhum onde andei. Essa fonte tem água pura, é o que embala nossos sonhos”. E é assim, mergulhado nos bairros e periferias de Olinda, que surgiu a inspiração para o 3º álbum do grupo, lançado nesta quinta-feira (4), no serviço de streaming de músicas Deezer. Com as costumeiras letras de frases populares e ritmo que honra o nome “orquestra”, a big band vem com frevo, muita percussão e também pegadas do forró.
“Bomfim”, com 11 faixas, é 100% autoral e segue os passos dos bem-sucedidos trabalhos anteriores, “Orquestra Contemporânea de Olinda”, de 2008; e “Pra Ficar”, de 2012. O novo disco é um resgate das raízes, que vêm de bairros como Guadalupe e Cidade Tabajara, pontos de efervescência cultural da Olinda fora do seu Sítio Histórico. “Acho que esse disco tem muito do longo período que a gente ficou viajando. Quando a gente está fora, passa a olhar o nosso lugar de nova maneira e com saudade”, contou ao G1 Juliano Holanda, produtor do álbum e guitarrista da Orquestra.
E o nome do disco é uma homenagem a uma das ruas mais famosas e tradicionais de Olinda. A Rua do Bomfim também dá nome uma das faixas, um frevo rasgado tocado pelo Grêmio Musical Henrique Dias, mais antiga escola da cidade, e composto pelo Maestro Ivan do Espírito Santo. A canção ainda é o primeiro frevo “de raiz” a entrar em um CD da OCO.
“Bomfim” é um disco que fala do amor, da vida, mas, sobretudo, de uma intimidade com as ruas de Olinda, cidade dos candomblés, afoxés, cocos, cirandas e maracatus. E também de artistas, como Julião das Máscaras, herdeiro da família responsável pela arte das fantasias com papel machê e que assina a capa do disco. Ou de figuras mitológicas, como o “Cariri”, símbolo do Carnaval, representado por um velho de barba ruiva e chapéu de couro. No disco, ele ganha música só para si, homenageando a troça carnavalesca que leva seu nome, a mais antiga da cidade -- o Cariri também é conhecido por participar de cerimônia marcante na abertura da folia olindense, no encontro com o mítico Homem da Meia-Noite.
Capa do CD da OCO traz homenagem aos artistas populares de Olinda (Foto: Beto Figueirôa / Divulgação)Capa do CD da OCO traz homenagem aos artistas populares de Olinda (Foto: Beto Figueirôa / Divulgação)
O novo disco é marcado pela variedade de ritmos a cada faixa. Há frevo para subir e descer ladeira, ecos de forró, de música caribenha e dos batuques dos tambores do maracatu. “Não foi nada pensado, mas algo que foi se construindo no nosso processo de produção, que é muito orgânico e coletivo. Acabamos percebendo que a gente estava querendo falar dessas nossas raízes, o que acabou norteando o disco para esses ritmos”, destacou Holanda.
A big band olindense traz em sua extensa formação, além de Juliano Holanda e da participação do trio de metais do Grêmio Henrique Dias, Gilú Amaral (percussão), Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Tiné e Maciel Salú (vocais), e o saxofonista-maestro Ivan do Espírito Santo.
Os primeiros shows do novo trabalho acontecem nos próximos dias 18 e 20 de junho, no Rio de Janeiro, e no dia 19, em Niterói (RJ). Em seguida, a banda segue para Goiânia e Brasília, nos dias 25 e 26 de junho. O trabalho, que tem patrocínio da Petrobras, ainda não tem data para chegar à terra-natal. “É até bom adiar um pouco porque chegamos mais perto do Carnaval e com a banda já afiada”, disse Juliano Holanda. O CD também estará disponível no site da banda a partir do próximo dia 10

fonte: Vitor TavaresDo G1 PE. 

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