O presidente dos EUA, Donald Trump, em coletiva com secretário de Guerra, Pete Hegseth e o secretário de Estado, Marco Rubio | Foto: Reprodução/Casa Branca
Segundo o The New York Times, como candidato à presidência, Trump pareceu reconhecer os problemas decorrentes do excesso de intervenção militar. Em 2016, ele foi um dos poucos políticos republicanos a criticar a insensatez da guerra do Iraque do ex-presidente George W. Bush e, em 2024, chegou a afirmar que não começaria uma guerra.
Agora, de acordo com o jornal, Trump está "abandonando esse princípio, e o faz ilegalmente". Isso porque a Constituição Federal exige que o Congresso aprove qualquer ato de guerra, o que não ocorreu. Até mesmo Bush buscou e recebeu o aval do Congresso para invadir o Iraque, em 2003.
“Ao prosseguir sem qualquer aparência de legitimidade internacional, autoridade legal válida ou endosso interno, Trump corre o risco de fornecer justificativa para regimes autoritários na China, na Rússia e em outros lugares que desejam dominar seus próprios vizinhos”, escreveu o jornal. “Mais imediatamente, ele ameaça replicar a arrogância americana que levou à invasão do Iraque."
O pretexto usado por Trump para atacar a Venezuela é a destruição de "narcoterroristas", que estariam supostamente ameaçando a segurança dos EUA — desde setembro, o governo americano lançou 30 ataques contra o que dizem ser embarcações usadas para o tráfico de drogas. Apesar disso, segundo o The New York Times, essa alegação é "ridícula".
A Venezuela não é uma produtora significativa de fentanil ou das outras drogas que dominaram a recente epidemia de overdoses nos EUA, e a cocaína que produz flui principalmente para a Europa.
Além disso, enquanto atacava embarcações venezuelanas, Trump concedeu indulto a Juan Orlando Hernández, que comandava uma vasta operação de narcotráfico quando era presidente de Honduras, de 2014 a 2022.
O The New York Times acrescentou que a política externa americana mostrou, no último século, que tentar derrubar "até mesmo o regime mais deplorável" pode piorar ainda mais a situação. Os EUA passaram 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável no Afeganistão e substituíram uma ditadura na Líbia por um Estado fragmentado.


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