Em discurso, o embaixador brasileiro Sérgio Danese afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do chefe de Estado “ultrapassam uma linha inaceitável”. Segundo ele, as ações configuram uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
O embaixador afirmou que a aceitação de intervenções dessa natureza pode levar a um cenário de violência, desordem e erosão do multilateralismo, com impactos diretos sobre o direito internacional e as instituições globais.
O representante brasileiro reiterou que as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais, não admitindo exceções motivadas por interesses ideológicos, geopolíticos, políticos ou econômicos. Segundo ele, não é aceitável que a exploração de recursos naturais ou econômicos seja usada como justificativa para o uso da força ou para a mudança ilegal de governos.
"O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até mesmo de ignorar soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos. A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível", afirmou.
O diplomata classificou como “profundamente alarmante” a agressão armada externa em um país vizinho ao Brasil, com o qual o país compartilha mais de 2.000 quilômetros de fronteira. “A América do Sul é uma zona de paz. Temos defendido e continuaremos a defender, com plena determinação, a paz e o princípio da não intervenção”, declarou.
"O Brasil confia que o futuro da Venezuela será construído pelo povo venezuelano, por meio do diálogo, sem interferência externa e dentro do marco do direito internacional", afirmou o representante.
A sessão emergencial foi convocada após solicitação formal da Venezuela e da Colômbia - que ocupa assento rotativo no Conselho, com apoio da Rússia e da China. Durante a reunião, os países discutiram a legalidade da captura de Nicolás Maduro, que foi levado aos Estados Unidos para ser julgado por supostas ligações com o narcotráfico internacional e posse de armas de guerra.
Representantes de Washington afirmaram, por sua vez, que não há guerra contra o país latino-americano e defenderam a legalidade da operação.



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